RESUMO
As famílias chefiadas por mulheres (FHHs) relataram frequentemente enfrentar desafios semelhantes aos das famílias chefiadas por homens (MHHs), particularmente no que diz respeito à falta de rendimentos, recursos, água e alimentos. No entanto, as FHHs identificaram com mais frequência o espaço habitacional inadequado como um grande desafio (12,7% contra 9,7%), sublinhando a sua maior vulnerabilidade em termos de habitação.
As mulheres entrevistadas enfrentam maiores vulnerabilidades económicas e relacionadas à protecção. Os homens relataram rendimentos mais elevados em quase todas as fontes de renda e maior acesso ao emprego formal, enquanto as mulheres continuam super-representadas em actividades informais e mal remuneradas e dependem mais de mecanismos de sobrevivência instáveis.
A deslocação aumentou as vulnerabilidades, com as famílias chefiadas por mulheres e as famílias chefiadas por homens a reportarem altos níveis de insegurança alimentar. Da mesma forma, a deslocação aprofundou as desigualdades de género, particularmente entre as famílias chefiadas por mulheres, que enfrentam maior precariedade económica e riscos de proteção.
As preocupações com a segurança afectam desproporcionalmente as mulheres e as raparigas, que relataram sentir-se menos seguras e evitar certas áreas, especialmente pontos de recolha de lenha e água, devido ao medo da violência, o que reflete riscos de protecção persistentes para as mulheres e raparigas. Estas conclusões são consistentes com avaliações anteriores de violência baseada no género e análises de género.
Vários riscos de protecção foram relatados como tendo aumentado para mulheres e meninas, nomeadamente assédio, intimidação, abuso verbal, violência física, violência sexual, uniões precoces (especificamente para meninas menores de 18 anos). As adolescentes são particularmente vulneráveis, com homens e mulheres reconhecendo as mulheres e meninas menores de 18 anos como o grupo de maior risco.
O acesso à informação e aos mecanismos de responsabilização também reflete as desigualdades de género. Tanto homens como mulheres dependem principalmente da comunicação interpessoal e comunitária para receber informações ou apresentar queixas, o que sugere que os Mecanismos de Queixa e Feedback (CFM) funcionam em grande parte através de estruturas sociais informais, em vez de sistemas escritos ou digitais. No entanto, as mulheres são duas vezes mais propensas do que os homens a temer retaliação por usar mecanismos de reclamação e feedback (5,2% contra 2,6%), limitando sua capacidade de relatar com segurança suas preocupações, incluindo casos de violência de género e alegações de abuso sexual em emergências (SEA). Embora a comunicação presencial continue a ser o canal preferido da comunidade para feedback e reclamações, a dependência de intermediários locais pode comprometer a confidencialidade e desencorajar as mulheres a relatar questões delicadas, incluindo SEA.
As pessoas com deficiência enfrentam maiores barreiras aos serviços de saúde, devido às longas distâncias de deslocamento, serviços inadequados às suas necessidades e altos custos de consultas e tratamentos. Da mesma forma, o maior uso de estratégias alimentares negativas entre famílias com membros com deficiência indica maior estresse económico e vulnerabilidade dentro desse grupo, incluindo abuso sexual econmico, especificamente para mulheres com deficiência auditiva e mental.
Essas conclusões, em conjunto, destacam as vulnerabilidades interseccionais: género, idade, deficiência e deslocamento são fatores críticos que influenciam os níveis de vulnerabilidade, o acesso a serviços ou a exposição a riscos de protecção, incluindo violência de género e exploração e abuso sexual, entre a população afetada. Famílias chefiadas por mulheres e pessoas com deficiência enfrentam consistentemente maior insegurança económica, acesso limitado a serviços essenciais e riscos elevados de protecção, enfatizando a necessidade de programas humanitários direcionados, inclusivos e sensíveis às questões de género.